Pesquisar este blog

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Avanço ou retrocesso? Introdução da modernidade na cidade do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX.

Ao analisarmos o contexto da modernização introduzida na cidade do Rio de Janeiro em fins do século XIX e começo do XX, nos colocamos diante de todas as peculiaridades do dia-a-dia das variadas classes sociais que aos poucos foram se transformando devido ao surto moderno; de forma a nos remetermos ao passado e tomarmos consciência de que o processo de modernização foi um decurso no qual nos primeiros anos transformou a cidade do Rio em duas cidades, ao mesmo tempo, pois ao ser estabelecido uma nova ordem, um novo padrão urbanístico, totalmente racional e técnico, se obteve como conseqüência uma mudança significativa na estrutura da sociedade e em sua cultura.
“graças a essa intensificação dos laços neocoloniais e ao prodigioso afluxo de riquezas decorrentes, alguns subiam na escala social e outros, literalmente, subiam expulsos para os morros da cidade” (p.541).
Se torna evidente  que essa sociedade a qual obtinham a ascensão social através dos laços mantidos com os países que praticavam certo domínio sobre os mesmos, estava inserida em um processo ao qual eram desejosos de levar o país a um grau de modernização a qualquer custo, desta forma surgia aos poucos uma nova sociedade, a qual ia se sintonizando cada vez  mais e com mais  intensidade, através da introdução da  tecnologia, fica visível compreendermos uma mudança comportamental acelerada nesta sociedade. Nesse período vai haver um surto imigratório jamais visto, tornando as relações frias, e com uma dificuldade muito grande de demonstrar afeto, uma preocupação com o tempo e uma sincronização com o ritmo da nova tecnologia.
Ao passo que vão sendo incorporados  vários hábitos e costumes, os quais a partir dessa modernização começaram então fazer parte do cotidiano das pessoas, como a preocupação com hábitos saudáveis, do tipo banhos de mar, banhos de sol, caminhadas, exercícios físicos, higiene pessoal e de ordem sanitária. Como conseqüência  dessa nova mentalidade a respeito da saúde, percebemos uma mudança de valores, a idéia de saúde passa ser primordial, seguida do padrão de limpeza e padrão estético da beleza, a partir dessa mudança de valores podemos compreender o porque essa idéia de duas cidades dentro da capital do Rio de janeiro, logo seguindo os padrões de limpeza, beleza  e estética encontramos a justificativa para a expurgação da população para os morros.
A avenida central se tornara o cartão postal do Rio, tudo dava um ar de luxo, o intitulado glamour vindo da Europa; de uma hora para outra a antiga cidade simplesmente desapareceu, logo nos remete as políticas aplicadas na questão sanitária, e com essas uma invasão da privacidade, de lares e corpos.
 “decreto 1905 determinava que todo o indivíduo recolhido à casa de detenção fosse imediatamente vacinado e revacinado” (p.572).
E como resposta a política sanitária que expulsa a população, que fora  uma população  totalmente despossuída ,surge um surto o qual  foi chamado de Revolta da Vacina.
Por fim torna-se válido ressaltar que essa onda de modernidade a qual poderia ostentar o prestígio e o poder dessas elites emergentes, como por exemplo: o telefone, o automóvel, a obrigatoriedade do cinema ao passo de manter-se esse reconhecimento social, seriam primordiais para manutenção de poder, afinal o cinema Hollywoodiano e mais tarde a televisão eram e atualmente continuam sendo, os grandes agentes da introdução da cultura de massa e do processo de consumo. 
        “a modernidade, afinal de contas chegava diferente, em proporções imensamente desiguais, mas atingia a todos” (p. 611).


SEVCENKO, Nicolau. A capital irradiante: técnica, ritmos e ritos do Rio In:______. História da vida privada no Brasil vol. 3. (pp. 513-619)


Fonte da imagem 2: http://www.jblog.com.br/media/41/20071228-03011903%20-%20blog%20capa%201.jpg

  *Vera Lúcia*

sábado, 18 de setembro de 2010

História e política: o passado é a resposta


...sem ignorar a complexidade do processo histórico, a História é uma disciplina acessível a pessoas com diferentes graus de conhecimento. Mais do que isso, é uma disciplina vital para a formação da cidadania. Não chega a ser cidadão quem não consegue se orientar no mundo em que vive, a partir do conhecimento da vivência das gerações passadas.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2007, p.13.